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Os Guardiões da Galáxia e a Justiça dos Improváveis [Análise à trilogia]

Os Guardiões da Galáxia e a Justiça dos Improváveis [Análise à trilogia]

Desde o primeiro filme de Guardiões da Galáxia (2014), fiquei impressionada em com como esta história mistura ação, comédia , grandes canções e um forte apelo emocional de forma tão única. James Gunn conseguiu criar um universo repleto de heróis improváveis, personagens que, à primeira vista, são tudo menos os típicos “heróis de filme de super-herói”. Em vez de figuras heróicas imaculadas, os Guardiões são um bando de desajustados, cada um com as suas cicatrizes e falhas. Peter Quill é um homem à deriva, Rocket um guaxinim rabugento, Drax busca vingança, e Groot é… bom, Groot. Uma árvore falante, mas com mais coração do que muitos humanos.

Texto/Irene Mónica Leite

Foto /https://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0/

O que me chamou atenção foi como esses personagens, com tantas diferenças e traumas, acabam por formar uma verdadeira família. Para mim, esse é o núcleo da franquia. Não importa quão diferentes eles sejam, o vínculo de amizade e lealdade entre eles vai além das estrelas. Num universo tão vasto, onde muitas vezes somos levados a ver os heróis como figuras solitárias e grandiosas, Guardiões da Galáxia aposta na união entre os mais improváveis. Eles não são heróis perfeitos, mas são genuínos, e isso é o que os torna tão humanos, tão relacionáveis.

A amizade entre os Guardiões desafiou-me a refletir sobre como, na vida real, encontramos apoio nas amizades, mesmo quando a vida nos coloca à prova. Em todos os três filmes, a dinâmica entre os personagens é um lembrete de que somos mais fortes juntos do que separados. Eles lutam não só pela justiça ou pelo bem maior, mas uns pelos outros — o que eleva o significado das suas ações. No segundo filme, por exemplo, quando vemos a busca de Peter pelo seu pai, a amizade do grupo se torna um pilar fundamental para ele superar essa dor. E o terceiro filme leva isso a outro nível, com o foco em Rocket e a sua origem, que mexe com a gente de uma forma muito profunda.

Além disso, a questão da justiça é central. A trilogia aborda, de forma muitas vezes leve e bem-humorada, a luta contra a tirania e a opressão. Mesmo com o caos em torno deles, os Guardiões não perdem de vista o que é certo, seja lutando contra os vilões mais poderosos ou defendendo os inocentes. A luta deles não é apenas uma busca por vingança ou glória, mas por algo mais justo, algo que ressoe com os valores humanos, como o respeito à vida e à liberdade, assim como a importância de uma segunda oportunidade.

A trilogia também nos presenteia com um cenário visual deslumbrante e com uma banda  sonora que, além de ser um puro deleite para os ouvidos, carrega uma carga emocional imensa. Não são apenas músicas de fundo, elas tornam-se quase personagens por si mesmas, ajudando a narrar as emoções e as jornadas dos Guardiões, com a base que as canções prosseguem como uma poderosa arma mensageira.

O que mais me encanta em Guardiões da Galáxia é justamente a mensagem de que a verdadeira força vem da amizade e da coragem de lutar por aquilo que é certo, mesmo que não sejamos o herói tradicional. Esses personagens, tão distantes da perfeição, nos mostram que todos têm um papel a desempenhar, e que, por mais improvável que seja, até os mais imperfeitos podem ser grandes heróis. Para mim, essa é a verdadeira beleza da trilogia.

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