Concerto da orquestra Wiener Concert-Verein no âmbito da “Temporada Darcos”
Integrado no ciclo “Europa Sinfónica” da “Temporada Darcos”, a conceituada orquestra austríaca Wierner Concert-Verein atua no próximo dia 5 de novembro, pelas 21h30, no Teatro-Cine de Torres Vedras.
De acordo com nota enviada às redações, esse concerto integra-se na primeira passagem desse agrupamento musical por Portugal. Com músicos da Wiener Symphoniker, a orquestra Wierner Concert-Verein foi fundada em 1987, reunindo, atualmente, músicos das principais orquestras de Viena, e mantendo uma temporada de concertos na mítica Sala Brahms do Musikverein.
Refira-se que o programa do concerto da Wierner Concert-Verein no âmbito da “Temporada Darcos”, o qual contará com a participação da meio-soprano Megan Kahtz e será dirigido por Nuno Côrte-Real, é o seguinte:
Alisa Kobzar (N. 1989)
Departures, for string orchestra
J. Haydn (1770 – 1827)
Sinfonia n° 44 em Mi menor, “Luto”
I. Allegro con brio
II. Menuetto e Trio: Allegretto
III. Adagio
IV. Finale: Presto
J. Dowland (1862 – 1918)
I. Come again!
II. Flow, my tears
Ill. Awake, sweet love
IV. I saw my lady weep
V. Shall I sue
VI. Weep you no more, sad fountains
VII. Time stands still
N. Côrte Real (n. 1971)
Seleção de Agora muda tudo com poesia de José Luís Peixoto
1. Ondas na praia
Il. Quando me esperas
Ill. Praga infalível
IV. Banquete invisível
V. A um milímetro da minha pele
Relativamente à segunda composição musical do programa, é de referir que a mesma constitui-se como uma obra-prima da construção e retórica musical, a qual apresenta um discurso de grande impulso emotivo, tendo sido escrita entre 1770 e 1971, para a corte dos Príncipes de Esterházy, da qual o seu autor era o mestre de capela.
Devedora do movimento artístico designado por Sturm und Drang, a Sinfonia n° 44 em Mi menor de Haydn apresenta todas as características desta linguagem: contornos melódicos inesperados, cortes abruptos, contraponto arrevesado, dissonâncias, cromatismos, instabilidade harmónica e uma apetência por dinâmicas contrastantes, assim obtendo mudanças drásticas de ambientes e crescendos de intensidade.
Já no que concerne à terceira composição musical do programa, a mesma decorre de Time Stands Still, uma obra encomendada pelo Centro Cultural de Belém para o Festival Dias da Música, em 2019, tendo aí sido estreada a 27 de abril desse ano. Refira-se que Time Stands Still consiste em 7 canções do compositor renascentista inglês John Dowland (†1626), orquestradas por Nuno Côrte-Real (1971), as quais são intercaladas com 7 interlúdios instrumentais, dedicados a amizades do universo pessoal deste último compositor. Como afirmou Côrte-Real acerca de Time Stands Still: “Apesar de já estarmos longe desse período da história [em que Dowland escreveu as referidas canções], há, porém, uma certa melancolia nas entrelinhas do nosso tempo que tornam estas canções vivíssimas”. No concerto da Wierner Concert-Verein integrado na “Temporada Darcos” ouvir-se-á, de Time Stands Still, apenas as sete canções de Dowland, com uma nova orquestração, num idioma sonoro, próximo do espírito do classicismo vienense.
O concerto da Wierner Concert-Verein no âmbito da “Temporada Darcos” será também proporcionado em Viena (no dia 3 de novembro, pelas 19h00, na Musikverein Brahms-Saal) e em Lisboa (no dia 6 de novembro, pelas 21h00, na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa).



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