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Senhor Vulcão: “A cantiga é a minha arma”

Senhor Vulcão lançou recentemente o seu quarto EP, “Bixos Bons”. Ponto de partida perfeito para uma conversa com a Scratch Magazine. Confere!


Texto/Irene Mónica Leite

Senhor Vulcão soa a um verdadeiro trava-línguas acompanhado por guitarra — de um faroeste que se confunde com o litoral português — e uma stompbox costumizada. Folkrap de intervenção, resumidamente.

O primeiro single , Rapotacho , estreou exclusivamente em rádios locais, em jeito de combate às assimetrias regionais.

O projeto Senhor Vulcão nasceu em 2008 “de uma forma muito simples. Um amigo construiu-me uma stompbox com uma caixa de charutos e eu comprei uma pequena guitarra. Já tinha muitos poemas escritos em português e aos poucos comecei a criar algumas camadas sonoras para os cantarolar, como de lenga lengas se tratassem. E aos poucos fui escalando a montanha”, conta-nos Bruno Pereira.

Porquê Senhor Vulcão? “É um misto de homem antigo e com códigos de honra e palavra, e algo mais incerto, inquieto, criativo, disruptivo, intenso”.

O processo criativo começa “normalmente com a palavra, o cerne de tudo. Depois com pequenos ritmos e acordes simples na guitarra. O resto vem de rojo, quase explosão. A maioria das vezes gosto de manter o poema cru, como nasce”.

Quanto à recetividade do público, “tem sido muito bom nestes dias meio loucos que correm. Temos de ir ao fundo, em mergulho, rapar o tacho, pensar como se cozinha de novo. É uma grande oportunidade que temos pela frente”, revela.

A cantiga ainda é uma arma?, perguntamos. “A cantiga é a minha arma”, atesta.

Bruno Pereira que, para além do Senhor Vulcão, fundou o projeto Atomic Bees, estabelece um balanço positivo do seu percurso até ao momento. “Tem sido uma viagem acima de tudo de descoberta. Só coisas boas. Lindos sítios por onde tenho passado e tocado, muita gente que se revê nas minhas canções. Muito amor e revolta da boa, daquela que dá força à mudança para algo mais elevado e melhor.

Quanto a planos futuros Bruno revela-nos que “gostava de gravar volumes até aos 77 anos. Estou a trabalhar nisso (entre risos). Sairá em breve mais um volume chamado ‘Mansidão e Blandícia’, do qual já saíu um single e video ‘Catraios’, e mais dois singles deste ‘Bixos Bons’. Estou já em pré-produção do próximo volume que se chamará ‘Intervenção’ que sairá em 2022. O que quero mesmo agora é voltar a tocar ao vivo. Para já tenho concertos agendados dia 22 de maio em Arraiolos, na Fábrica Aliança e dia 4 de julho ao vivo na rádio Antecâmara, nos Anjos. Outros virão. Haja paz, haja luz”.

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