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James e o Pêssego Gigante : Inocente e sonhador

Henry Selick, depois do êxito na película “O estranho mundo de Jack” (1993) volta a fazer magia na adaptação para o cinema de “James e o Pêssego Gigante”, utilizando técnica semelhante, alternada com atores de carne e osso, para construir uma saga visual igualmente cativante.

Texto/Irene Mónica Leite 

Originalmente escrito para a edição impressa da revista “A Casa do João”

https://acasadojoao.online/

Mas passemos à belíssima história: James e os pais sonham com a ida a Nova Iorque, a cidade “onde os sonhos se realizam”.

No entanto, após um incidente que tirou a vida dos seus pais, James passa a viver com duas tias malvadas, que quase o escravizam….

Mas a sorte de James muda decisivamente quando um homem misterioso lhe entrega um pacote com uma bizarra receita, que acaba por culminar no nascimento de um pêssego gigante.

Depois de entrar neste fruto, James conhece insetos que o acompanharão na curiosa jornada que estes irão percorrer.

Tim Burton aparece apenas como produtor, mas o seu toque especial é evidente.  Desde a inclinação para o mórbido e o bizarro, sem deixar que estas características ofusquem o caráter mais onírico de “James e o Pêssego Gigante”.

A pelicula é, com efeito, leve, mas ao mesmo tempo muito expressiva.

Refira-se que a partir do momento em que os atores reais saem de cena para dar lugar a cenários e personagens inteiramente animados é especialmente marcante.

Trata-se de um filme tecnicamente trabalhoso e elaborado, uma pelicula banhada com humor inteligente e que fascina qualquer espectador.

O reconhecimento da critica

Com “James e o Pêssego Gigante”, escrevia a Folha de S.Paulo nos anos 90 , os estúdios Disney conquistam estética mais sofisticada no desenho animado, com estilo que ao mesmo tempo é verossímil e mais difícil de ser decodificado pelo público de massa, do que, por exemplo “A Bela e a Fera” ou “Pocahontas”.


Trata-se de uma virtude, pois o filme, dirigido por Henry Selick (de “O Estranho Mundo de Jack”), ensina e diverte com traços ásperos, sombras e imagens surrealistas, além do humor peculiar às produções Disney.


“James e o Pêssego Gigante”, adaptado de livro do escritor Roald Dahl (1916-1990), mistura atores, bonecos, computação gráfica para contar a história de um solitário menino de 9 anos.

Órfão, maltratado por tias abomináveis e privado da companhia de crianças, a melhor amiga de James é uma aranha.


Elementos mágicos criam um enorme pêssego que transporta James e seus amigos insetos por uma incrível viagem, a bordo do pêssego, até a Nova York da década de 40.


Dahl é mestre em apresentar ao público infantil estados de impasse como se fossem piadas engraçadas e sem importância.
“James e o Pêssego Gigante” só não consegue ser melhor do que “O Rei Leão” e “Fantasia”.

 

O Livro

Tudo começa quando um dia surge um homem estranho dando ao menino “coisinhas” verdes, prometendo uma vida de alegria. James corre para casa com essas “coisinhas”, mas tropeça e as derruba acabando estas por rapidamente penetrarem na terra por baixo do pessegueiro. Então, um milagre acontece… Da árvore estéril, nasce um pêssego que cresce mais e mais até ficar maior que um elefante.

As tias não perdem tempo e fazem um “negócio” à volta do fenómeno. À noite, quando todos se foram embora, o menino aproxima-se e avista um buraco, pelo qual entra até chegar ao que parece uma portinha.

Entrando, depara-se com uma grande surpresa: encontra os insetos que viviam no quintal. Resultado: acabam por sair juntos viajando dentro da fruta, vivendo aventuras mágicas e fazendo as pazes com a alegria…é uma viagem deliciosa viagem, fortemente embalada de ternura, amizade que só poderia ser vista pelos olhos de uma criança, o James. É impossível o leitor não se emocionar com os acontecimentos que marcam a aventura deste verdadeiro herói.

“James e o Pêssego Gigante” é um grande clássico de Roald Dahl, ilustrado por Quentin Blake, também exímio nesta tarefa.

Roald Dahl é mesmo um autor especial e não foi ao acaso que pegamos novamente numa obra sua. Leiam, absorvam e deixam-se levar pelas suas histórias mágicas!

O legado

Este filme é um dos clássicos da Disney, datado de 1996, que nos ensina a lutar, superar os medos e sonhar.

“James e o Pêssego Gigante” é muito mais que um livro/filme infantil. Tem momentos bem interessantes para os adultos. Para além das pequenas lições de moral, sente-se o apelo para nunca deixar a criança interior morrer.

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